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Muitas vezes, quando o assunto é produtividade, o Brasil não é visto com bons olhos pelos países desenvolvidos, e quem sofre com esse status são os brasileiros, um povo trabalhador, criativo e muito competente. De que forma podemos melhorar o nosso rendimento e nos igualarmos aos países desenvolvidos? Neste post, explicaremos a origem dessa improdutividade e mostraremos algumas maneiras de combatê-la. Acompanhe:

A origem da improdutividade

Uma matéria publicada pela revista The Economist, em abril de 2014, ganhou o título “50 anos de soneca”. Nela, a equipe de reportagem afirmou que o povo brasileiro está em uma “soneca” profunda, afinal, a produtividade nas empresas cresceu entre as décadas de 1960 e 1970, mas depois se estagnou.

Na época da publicação da matéria, a economia do Reino Unido (RU) e a do Brasil produziram quase o mesmo Produto Interno Bruto (PIB), porém, o RU tem uma população de 60 milhões de habitantes, enquanto o Brasil tem 200 milhões. Logo, pode-se deduzir que cada britânico produziu o mesmo PIB que 4 brasileiros juntos.

Quando comparamos os brasileiros com os americanos, a história se repete. Um trabalhador americano produz, sozinho, uma média de 100 mil dólares de riqueza por ano, já um brasileiro produz apenas 22 mil dólares de riqueza anualmente.

Segundo a matéria, um empresário texano de restaurantes que investiu em um fast food no evento Lollapalooza precisava de 10 funcionários para atender os seus clientes, porém, precisou contratar 20 pessoas por conta das faltas que ele sabia que iriam ocorrer. O empresário afirmou, ainda, que os trabalhadores contratados na faixa de 18 anos tinham a mesma habilidade que um garoto norte-americano de 14 anos, frisando a falta de compromisso que atinge diversos segmentos de nossa economia.

Já em outra matéria, desta vez da revista Exame, afirma-se que um norte-americano produz uma riqueza de 100 mil dólares anualmente, enquanto um brasileiro produz somente 22 mil dólares por ano. Logo, pode-se compreender que precisamos de 4 vezes mais brasileiros para produzir o mesmo tanto que um americano.

O grande problema é que, em ambas as matérias, esqueceram-se de averiguar os porquês desses resultados, afinal, o brasileiro é um povo que trabalha muito, muitas vezes enfrentando jornadas de até 12 horas por dia e em condições que, quase sempre, são desfavoráveis.

Outro estudo, realizado em 2013, classificou os países segundo os seus investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), e o Brasil ficou em 31º lugar, com um indicador de 1,2% de seu PIB. Esse resultado é baixo, sobretudo quando comparado aos 10 primeiros colocados:

  • Israel (4,4%);
  • Finlândia (3,8%);
  • Coreia do Sul (3,7%);
  • Suécia (3,4%);
  • Japão (3,3%);
  • Dinamarca (3,1%);
  • Suíça (2,9%);
  • e Alemanha, Áustria e Estados Unidos (2,8% cada).

Podemos afirmar que esses resultados estão relacionados com maus investimentos, falta de gestão, inexistência de planejamentos e o mais problemático de todos os pontos: a falta de uma avaliação e interpretação dos resultados obtidos por meio de uma análise crítica.

Os erros e a burocracia

Pense na matriz PDCA, ferramenta comumente usada por empresas.

  • P (do inglês, plan) significa planejar. No planejamento, os brasileiros evoluíram de forma considerável e começaram a adotar esse hábito nas grandes empresas, mas as pequenas e médias ainda caminham nesse processo.
  • D (do inglês, do) significa executar. É nessa parte que os brasileiros se mostram mais ativos. Não há nada que um brasileiro não consiga fazer.
  • C (do inglês, check) significa verificar. As empresas não dão muita atenção, uma vez que poucas têm um sistema de gestão de qualidade.
  • A (do inglês, act) significa agir. Essa fase é considerada uma raridade dentro de uma empresa, e nela avaliam-se os resultados obtidos na etapa de verificação e determinam-se regras ou alterações em processos para corrigir falhas e obter os melhores resultados.

Grande parte da inexistência de ações de correção e falhas de processos vem da falta de habilidade nos gestores em avaliar resultados. Atualmente existem diversas soluções que podem trazer a ele um panorama sobre qualquer atividade da sua empresa. Porém, ele não consegue cruzar informações para identificar todas as ações necessárias.

Além dessas falhas, infelizmente, o nosso querido país é engessado por diversas burocracias que acabam impactando seriamente em lentidão do desenvolvimento nacional. Atualmente, para se fazer qualquer coisa, você precisa preencher um formulário W, que deverá ser entregue no cartório X, que vai te dar uma guia Y, que deve seguir para o banco Z no prazo de 2 dias.

Isto é um veneno que apodrece o nosso país e mina, paulatinamente, nossa produtividade. Precisamos de processos mais eficientes para todas as empresas, inclusive para a máquina pública, cujo excesso de burocracia abre brechas para atividades ilegais, como a corrupção, o desvio de dinheiro público e o mais absurdo deles, a prevaricação.

As soluções para a improdutividade

Já sabemos que nos faltam condições, tanto técnicas quanto financeiras, para que possamos produzir mais. E agora, de que maneira podemos resolver isso? Infelizmente não existe uma resposta fácil para essa questão, pois o grande problema está na cultura do povo brasileiro em “dar um jeitinho” em tudo.

É muito importante implantar novos processos, com disciplina e compromisso — valores primordiais para que tudo funcione da melhor maneira o possível. Não será possível mudar a mentalidade de uma nação inteira do dia para a noite, mas ao se demonstrar a importância e a necessidade de padronizar e, acima de tudo, respeitar os processos dentro de uma empresa, por exemplo, gradualmente as pessoas vão adotar essa visão no seu cotidiano.

O despertar para a produtividade só acontecerá quando as pessoas compreenderem a real necessidade de se padronizar os processos e respeitá-los, tendo como foco um objetivo maior: a excelência na produção e na execução de serviços.

A produtividade nas empresas

Todas essas soluções demandam muito tempo e, em muitos casos, podem ser impraticáveis. No entanto, dentro de uma empresa, elas podem — e devem — ser aplicadas com algumas adaptações.

Se você está pensando em abrir uma empresa, o planejamento deve ser parte do seu DNA, afinal, é nesse ponto que o seu empreendimento será moldado. Por meio da elaboração e da aplicação de um plano de negócios bem desenvolvido — com a definição da sua cultura organizacional (missão, visão e valores) e o estabelecimento de processos e fornecedores. Se você deseja uma empresa com alto índice de produtividade, essa é a hora de definir quais caminhos ela deve percorrer.

Mas e eu, que já tenho uma empresa aberta? Para você, a solução é a mesma. Nunca é tarde para uma empresa fazer ou refazer o seu plano de negócios, afinal, o mercado é dinâmico, exigindo inovação constante. O ponto principal para aumentar a produtividade é o estabelecimento de processos. No plano de negócios, você descobre:

  • Quem são os seus clientes;
  • Qual é a sua área de atuação
  • Quem são os seus fornecedores;
  • Quais são os seus custos.

Na parte de gestão de processos, o gestor vai agrupar todas estas informações e organizá-las da melhor maneira possível, estabelecendo uma lógica de execução e avaliando se todas as etapas são realmente necessárias.

A gestão de processos, apesar de trabalhar muito com a lógica, não é uma ciência exata, pois cada processo é único, não existindo uma receita que, ao ser seguida passo a passo, vai trazer o resultado esperado. Em muitos casos, o processo pode ser alterado diversas vezes antes de se chegar a um resultado positivo. Podemos aplicar diversas técnicas para alcançar resultados e adaptá-las à realidade da empresa.

Como dissemos antes, a análise não é o forte do povo brasileiro e, muitas vezes, é uma etapa ignorada. Contudo, ela é a parte mais importante para se otimizar os processos internos de uma empresa. Para isso, existem diversas ferramentas disponíveis no mercado e que são fáceis de utilizar.

A matriz PDCA

Uma delas pode ser a matriz PDCA, que foi citada como um exemplo. É possível, por meio dela, obter um parâmetro geral do processo que está sob análise, uma vez que a matriz PDCA cobre todo o projeto — da etapa de planejamento até o processo de conclusão.

Essa matriz representa um processo contínuo e infinito, afinal, a cada ajuste, você poderá encontrar outro aspecto que pode te fazer economizar tempo e dinheiro.

O benchmarking

Outra ferramenta que é comumente utilizada por grandes empresas é o benchmarking, porque ele permite compare e “importe” para o seu negócio as boas práticas de clientes, parceiros e até mesmo concorrentes — independentemente da área, seja ela de produção, de administração ou de comunicação.

É muito importante que o empresário tenha em mente que copiar, simplesmente, os processos de um concorrente não dará certo, afinal, são 2 empresas que, apesar de atuarem no mesmo ramo, seguem sendo empreendimentos diferentes.

A matriz SWOT

A matriz SWOT — sigla para o agrupamento dos termos ingleses strengths (forças), weaknesses (fraquezas), opportunities (oportunidades) e threats (ameaças) — é outra ferramenta que se faz importante para qualquer empresa que deseja aumentar de forma significativa a sua produtividade. É por meio dela que se identificam elementos presentes no ambiente interno e no mercado que podem afetar o empreendimento.

O motivo para refletir

Infelizmente, o “jeitinho brasileiro” não é bem-visto pelos países desenvolvidos. Contudo, ao longo deste post, vimos que ainda temos um povo trabalhador e que produz com raça. A questão é que a nossa população é limitada pela falta de processos padronizados, por estruturas deficientes e pelo excesso de burocracia.

Nesse contexto, as empresas que buscam aumentar a sua produtividade devem fazer uma reestruturação total dos seus procedimentos, sempre orientando os seus resultados e estabelecendo metas. Para isso, elas devem lançar mão de todos os recursos disponíveis.

Também é importante lembrar que a capacitação é a melhor forma de economizar dinheiro, pois profissionais com conhecimento técnico de produção proporcionam um menor índice de refação de processos, produtos ou serviços. Todos esses problemas representam um custo desnecessário para a empresa.

Agora que você entende um pouco melhor a relação entre produtividade e improdutividade em nosso país, aproveite a sua visita em nosso blog e leia o post “Qual a melhor maneira de cuidar da gestão de atividades da minha empresa?”.

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