IMGP-BR — Índice de Maturidade da Gestão de Projetos no Brasil (Artia)
1) O que é o IMGP-BR e por que ele existe
O IMGP-BR é um indicador composto (0 a 100) que mede o nível de maturidade das organizações brasileiras em gestão de projetos. Ele traduz, em um número único e comparável, o quão avançadas estão as práticas, estruturas, competências e resultados de gestão no país.
Para que serve:
- Comparar setores e perfis organizacionais;
- Rastrear a evolução anual da maturidade no Brasil;
- Guiar decisões estratégicas (investimentos, capacitação, governança, ferramentas).
2) De onde vêm os dados
O índice é construído a partir das respostas agregadas do Panorama Gestão de Projetos Brasil 2026, pesquisa realizada pelo Artia. As variáveis usadas incluem, por exemplo:
- Ramo de atuação (22 setores), porte, região;
- Estruturas (PMO/VMO), nº de projetos simultâneos, metodologias (híbridas, ágeis, preditivas, ou nenhuma);
- Desempenho de entrega (escopo, prazo, orçamento);
- Avaliações de gestão (planejamento, ciclo de vida, partes interessadas, equipes, medição, incertezas);
- Capacitação (experiência, certificações);
- Tecnologia e cultura (software de gestão, IA, dashboards, planilhas), ESG.
Transparência: quando a base não oferece médias por setor para todos os itens, calculamos o índice setorial por inferência analítica coerente com os padrões observados no Panorama. Essas inferências são responsabilidade analítica deste estudo e não representam declarações diretas do Artia.
3) Modelo conceitual: as 5 dimensões do IMGP-BR
A maturidade é avaliada em cinco dimensões — todas com o mesmo peso (20%) no resultado final:
- Estrutura organizacional e processos
(PMO/VMO, metodologias adotadas, volume/complexidade de projetos) - Capacitação e certificações
(experiência em gestão de projetos, certificações, perfil dos profissionais) - Desempenho e entrega
(entregas dentro de escopo, prazo e orçamento) - Gestão e governança
(qualidade percebida de planejamento, ciclo de vida, stakeholders, equipes, medição, incertezas) - Cultura e tecnologia
(uso de software de gestão, IA, dashboards, práticas ESG, maturidade cultural)
4) Como transformamos respostas em números (normalização)
Para combinar respostas de naturezas diferentes, convertê-las para a mesma escala de 0 a 1 (depois multiplicamos por 100). Exemplos:
- Escalas de frequência (Nunca, Poucas vezes, Algumas vezes, Maioria das vezes, Sempre)
→ 0, 0,25, 0,50, 0,75, 1,00 - Escalas de avaliação (Muito ruim, Ruim, Nem boa/ruim, Boa, Muito boa)
→ 0, 0,25, 0,50, 0,75, 1,00 - Percentuais de adoção/ocorrência (por exemplo, “% com metodologia”)
→ dividir por 100 (ex.: 58% → 0,58)
Por que isso é importante?
Normalizar coloca todas as variáveis na mesma régua, permitindo combinar itens de natureza distinta em um índice único.
5) Como calculamos cada dimensão (exemplo didático)
Cada dimensão é a média simples dos seus indicadores já normalizados (0–1). Depois, ×100 para levar à escala 0–100.
Exemplo (Desempenho e entrega de um setor):
- Escopo (maioria + sempre) = 0,60
- Prazo (maioria + sempre) = 0,48
- Orçamento (maioria + sempre) = 0,55
Dimensão Desempenho = (0,60 + 0,48 + 0,55) / 3 = 0,543 → 54,3 pontos
Boas práticas: sempre que possível, usamos três ou mais itens por dimensão para reduzir vieses e aumentar a confiabilidade.
6) Como calculamos o IMGP-BR de um setor
O IMGP setorial é a média das cinco dimensões, cada uma com 20% de peso (ou seja, média aritmética simples):

Exemplo (Tecnologia – valores ilustrativos do modelo):
Estrutura 70 | Capacitação 45 | Desempenho 60 | Governança 50 | Cultura/Tec 75
IMGP(setor) = (70 + 45 + 60 + 50 + 75) / 5 = 60,0
7) Como calculamos o IMGP-BR nacional
O Brasil é composto por 22 ramos de atuação, cada qual com seu IMGP setorial e sua participação (%) na amostra do Panorama.
O IMGP-BR nacional é a média ponderada dos 22 IMGPs setoriais, usando como pesos as respectivas participações setoriais:
Por que ponderar?
Porque alguns setores têm muito mais organizações respondentes (e maior peso na economia) do que outros. Ponderar reflete melhor a realidade do país.
Nota importante: Se você fizer a média simples das 5 dimensões agregadas nacionalmente, chegará a ~50,2.
Já a média ponderada setorial, que considera que setores mais representativos (ex.: Tecnologia, Serviços de TI, Consultoria) têm escores mais altos e mais peso, resulta em 51,7. Essa diferença é esperada e metodologicamente correta.
8) IMGP-BR setorial – 22 ramos de atuação
(todos os setores do Panorama 2026; cinco dimensões com pesos iguais; quando faltaram médias setoriais diretas, usamos inferência analítica prudente coerente com os padrões observados na base; valores em pontos, 0–100)
| Ramo de atuação | Estrutura | Capacitação | Desempenho | Governança | Cultura & Tec | IMGP setorial |
| Tecnologia (software) | 70 | 45 | 60 | 50 | 75 | 60,0 |
| Serviços de TI | 68 | 42 | 57 | 48 | 70 | 57,0 |
| Consultoria | 65 | 48 | 58 | 53 | 62 | 57,2 |
| Financeiro | 64 | 41 | 55 | 51 | 59 | 54,0 |
| Engenharia | 63 | 38 | 55 | 45 | 52 | 50,6 |
| Utilities | 62 | 34 | 52 | 47 | 46 | 48,2 |
| Serviços (geral) | 58 | 35 | 52 | 41 | 50 | 47,2 |
| Cooperativas | 60 | 34 | 50 | 45 | 46 | 47,0 |
| Manufatura | 61 | 30 | 53 | 41 | 44 | 45,8 |
| Transportes e Logística | 59 | 30 | 50 | 41 | 43 | 44,6 |
| Agroindústria | 60 | 28 | 50 | 40 | 42 | 44,0 |
| Distribuição e Comércio | 56 | 31 | 49 | 41 | 45 | 44,4 |
| Saúde | 56 | 32 | 48 | 38 | 45 | 43,8 |
| Educação e Ensino | 52 | 33 | 46 | 39 | 48 | 43,6 |
| Agências de Comunicação e Marketing | 50 | 33 | 45 | 39 | 52 | 43,8 |
| Marketing e Comunicação (veículos) | 50 | 33 | 43 | 38 | 49 | 42,6 |
| Construção civil | 58 | 29 | 49 | 36 | 38 | 42,0 |
| Jurídico | 52 | 37 | 47 | 46 | 38 | 44,0 |
| Associações / ONGs / Entidades | 50 | 31 | 44 | 38 | 40 | 40,6 |
| Instituição pública | 55 | 26 | 45 | 34 | 35 | 39,0 |
| Veículos de Comunicação | 48 | 32 | 43 | 37 | 44 | 40,8 |
| Outros | 57 | 35 | 50 | 40 | 46 | 45,6 |
9) Participação dos setores e resultado nacional
Para chegar ao IMGP-BR nacional, ponderamos cada IMGP setorial pelas participações (%) na amostra do Panorama (exemplos: Tecnologia 18,1%, Serviços de TI 12,7%, Consultoria 11,1%, Engenharia 9,9%, …). Ao somar todos os produtos (peso × índice), obtemos:
IMGP-BR Nacional 2026 = 51,7 pontos
Interpretação (escala de maturidade):
- 0–20: Inicial
- 21–40: Básica
- 41–60: Intermediária ← Brasil 2026 (51,7)
- 61–80: Estruturada
- 81–100: Avançada
Leitura executiva: o Brasil opera com estruturas e metodologias consolidadas, mas ainda tem gaps em capacitação (certificações/experiência) e governança/medição que impedem o salto consistente para o nível Estruturado.
10) Limitações e transparência
- Cobertura setorial: alguns setores têm amostra menor, o que aumenta a incerteza.
- Inferências: quando faltam cruzamentos setoriais completos, usamos estimativas prudentes. Recomendamos atualizar os números assim que novas tabelas cruzadas do Panorama estiverem disponíveis.
- Autodeclaração: parte das métricas (ex.: satisfação, avaliações de gestão) é perceptual, devendo ser lida em conjunto com métricas objetivas (prazo, escopo, orçamento).
11) Conclusão
O IMGP-BR 2026 = 51,7 posiciona o Brasil em maturidade Intermediária. Há base organizacional e tecnológica relevante, porém, capacitação formal e governança/medição são os vetores críticos para ganhos sustentáveis.
A publicação periódica do IMGP-BR permitirá acompanhar a evolução por setor, dando transparência e direção prática para a gestão de projetos no país.