O mercado brasileiro de gestão de projetos vive um momento de virada. Pressionado por prazos mais curtos, orçamentos limitados e demandas cada vez mais complexas, o setor precisa se reinventar.
Nesse cenário, o Panorama Gestão de Projetos Brasil 2026 — pesquisa realizada com 1.265 respondentes de diferentes regiões, portes e setores — funciona como um verdadeiro termômetro de maturidade e inovação, com estatísticas de gestão de projetos úteis para benchmark.
Com base em 43 questões estruturadas, o estudo mapeia desde competências profissionais e estruturas organizacionais até uso de tecnologia e desafios enfrentados no dia a dia.
Mais do que um retrato estático, ele oferece insumos estratégicos para empresas que desejam se comparar ao mercado e para profissionais que buscam se posicionar de forma competitiva.

Principais achados do estudo
Os resultados trazem um alerta importante: o Brasil ainda enfrenta lacunas estruturais e culturais na gestão de projetos.
- 73,2% não possuem certificação em gestão de projetos
- 57,3% não estão satisfeitos com o nível de maturidade em gestão de projetos
- 48,7% não possuem nenhuma estrutura departamental (PMO ou VMO)
- 27,5% consideram que seus projetos têm um impacto estratégico baixo para a organização
- 85,4% usam inteligência artificial nas rotinas de gestão de projetos
- 27,7% ainda usam planilhas para gerenciar projetos
- 37,3% gerenciam mais de 20 projetos simultaneamente
- 43,3% utilizam metodologia híbrida de projetos, seguida por ágeis (26,5%)
- 23,4% não consideram ESG nas práticas de gestão de projetos
- 50,4% entregam os projetos “na maioria das vezes” dentro do escopo
- 44,5% entregam os projetos “na maioria das vezes” dentro do orçamento
- 39,6% entregam os projetos “na maioria das vezes” dentro do prazo
Esses dados mostram que, enquanto a tecnologia já está disponível e acessível, sua adoção ainda não é prioridade para muitas empresas, o que limita ganhos de eficiência e capacidade de análise estratégica.
Status da carreira em gestão de projetos
O perfil dos profissionais revela diversidade de gênero (50,75% mulheres cisgênero vs. 46,25% homens cisgênero) e uma presença significativa de profissionais experientes: 26,25% têm mais de 10 anos de atuação, enquanto 19,53% estão nos dois primeiros anos de carreira. As funções mais comuns são Gerente, Consultor e Diretor/Sócio.
Salário do gerente de projetos
O estudo apresenta a faixa salarial de diferentes níveis profissionais ligados à área de gestão de projetos. 14,73% dos gerentes de projetos recebem entre R$5.001 a R$7.500.

Disparidade salarial em gestão de projetos
Os dados salariais dos respondentes revelam um cenário singular e positivo em relação à equidade de gênero.
Entre profissionais Gerentes de Projetos com mais de 10 anos de experiência, as mulheres cisgênero concentram-se majoritariamente na faixa salarial de R$ 15.501 a R$ 20.000, enquanto os homens cisgênero situam-se entre R$ 12.501 e R$ 15.000.
Esse resultado inverte a tendência histórica de disparidade salarial desfavorável às mulheres e pode refletir o avanço de políticas organizacionais voltadas à valorização da liderança feminina, bem como o reconhecimento de sua contribuição estratégica na gestão de projetos. Ainda assim, o dado convida à reflexão sobre como sustentar e ampliar essa equidade em diferentes setores e níveis de maturidade organizacional.
A consciência desse cenário é essencial para que empresas implementem políticas de remuneração justa.
Outro ponto relevante é que 73,2% dos profissionais não têm certificação, um indicativo de que ainda há um grande espaço para valorização da formação formal como diferencial competitivo. Em 2024, este indicador era de 74,62%.
Certificação em gestão de projetos
43,2% dos respondentes não possuem certificações em gestão de projetos.
- PMP – Project Management Professional (9,33%)
- CSM – Certified ScrumMaster (1,9%)
- PMI-ACP – PMI Agile Certified Practitioner (0,55%)
- Outras (14,31%)
Embora a certificação seja um indicativo importante de conhecimento técnico e metodológico, ela não representa o único caminho para quem deseja construir uma carreira em gestão de projetos.
Isto também reforça uma tendência observada pelo PMI de alta demanda por profissionais na área, o que faz com que muitos assumam responsabilidades de gestão de projetos mesmo sem uma certificação formal.
Maturidade na gestão de projetos
A maturidade média das organizações brasileiras concentra-se nos níveis intermediários:
- Nível 3: 32,49%
- Nível 4: 24,35%
- Nível 2: 17,79%
- Nível 5 (excelência): 15,73%
- Nível 1: 6,09%
- Não sabe: 3,59%
Isso revela um quadro de evolução em andamento, mas ainda longe do topo. O fato de mais de 20% estar nos níveis 1 e 2 indica que há empresas operando de forma reativa, sem metodologias consolidadas.
Isso se conecta diretamente com a baixa adoção de PMO / VMO e de tecnologias mais avançadas, como veremos adiante.
O Panorama Gestão de Projetos Brasil 2026 revelou que 57,3% não estão satisfeitos com o nível de maturidade em gestão de projetos.
Perfil dos profissionais MUITO INSATISFEITOS
Entre os que se declaram muito insatisfeitos com a maturidade:
- A maior parte se concentra no nível 2 de maturidade
- 26,72% possuem alguma estrutura departamental (PMO ou VMO)
- 63,79% utilizam alguma metodologia de gestão de projetos
- 6,03% entregam os projetos “sempre” dentro do ESCOPO definido
- 6,90% entregam os projetos “sempre” dentro do ORÇAMENTO definido
- 6,03% entregam os projetos “sempre” dentro do PRAZO definido
- 61% consideram ESG nas práticas de gestão de projetos
- 20,07% usam software de gestão de projetos
- 20,07% usam inteligência artificial nas práticas de gestão de projetos
- 60,03% consideram que o nível de satisfação e valor / impacto estratégico entregue é “MUITO ALTO”
Esse perfil reforça a relação direta entre ausência de estrutura, metodologias e tecnologias com a baixa maturidade percebida.
Perfil dos profissionais MUITO SATISFEITOS
Entre os muito satisfeitos:
- A maior parte se concentra no nível 5 de maturidade
- 64,21% possuem alguma estrutura departamental (PMO ou VMO)
- 95,79% utilizam alguma metodologia de gestão de projetos
- 25,26% entregam os projetos “sempre” dentro do ESCOPO definido
- 24,21% entregam os projetos “sempre” dentro do ORÇAMENTO definido
- 20% entregam os projetos “sempre” dentro do PRAZO definido
- 83,16% consideram ESG nas práticas de gestão de projetos
- 25,34% usam software de gestão de projetos
- 17,23% usam inteligência artificial nas práticas de gestão de projetos
- 18,95% consideram que o nível de satisfação e valor / impacto estratégico entregue é “MUITO ALTO”
Estatísticas sobre governança e entrega de projetos
Ausência de estruturas formais é marcante: 48,8% não contam com PMO ou VMO. Essa falta de governança impacta diretamente na previsibilidade das entregas:
- 50,43% finalizam os projetos “na maioria das vezes” dentro do escopo;
- 44,58% finalizam os projetos “na maioria das vezes” dentro do orçamento;
- 39,6% finalizam os projetos “na maioria das vezes” dentro do prazo.
Metodologias híbridas são a escolha predominante (43,3%), seguidas pelas ágeis (26,6%), o que demonstra um movimento de adaptação, mas também indica que muitas organizações ainda buscam o equilíbrio ideal entre previsibilidade e flexibilidade.
Estatísticas sobre principais desafios da gestão de projetos
O estudo mostra que as maiores barreiras são menos tecnológicas e mais organizacionais:
- Cultura organizacional (17,89%).
- Falta de comunicação entre as partes interessadas (13,49%)
- Mudanças constantes de escopo (13,07%)

Esses desafios estão fortemente ligados ao fator humano, reforçando que o sucesso em projetos não depende apenas de ferramentas, mas de liderança e cultura.
Por que os projetos falham?
O panorama apresenta também os principais motivos que causam falhas nos projetos, impactando o cumprimento do escopo, prazo e custos.
Principais motivos que causam mudanças no escopo dos projetos:
- Falta de clareza no escopo inicial (18,31%)
- Mudanças nas necessidades ou prioridades do cliente (16,13%)
- Requisitos do cliente mal definidos (16,07%)
Principais motivos que causam atrasos nos projetos:
- Dependências de terceiros ou fornecedores (20,26%)
- Falta de planejamento detalhado e realista (15,1%)
- Falta de recursos adequados – humanos, financeiros e materiais (11,97%)
Principais motivos que causam gastos adicionais nos projetos:
- Mudanças no escopo do projeto (18,31%)
- Estimativas de custo imprecisas ou inadequadas (16,13%)
- Retrabalho devido a erros ou falhas (16,07%)
Adoção de software de gestão de projetos
Só 22,71% usam um software de gestão de projetos. Entre os usuários:
| Usam softwares de gestão de projetos | Não usam nenhuma tecnologia para gestão de projetos | |
| Entregam seus projetos dentro do ESCOPO na maioria das vezes | 54,68% | 36,36% |
| Entregam seus projetos dentro do ORÇAMENTO na maioria das vezes | 48,40% | 24,24% |
| Entregam seus projetos dentro do PRAZO na maioria das vezes | 40,52% | 27,27% |
Entre as principais dificuldades no uso de um software de gestão de projetos estão:
- Falta de engajamento e adesão da equipe (19,95%)
- Personalização / customização (18,61%)
- Custo de aquisição e manutenção das ferramentas (15,87%)
A pesquisa revela que a baixa adoção de tecnologias e a falta de ferramentas adequadas representam um desafio para muitas organizações.
Em um cenário de crescente complexidade e volume de informações, a tecnologia desempenha um papel essencial ao centralizar dados e otimizar o acompanhamento do fluxo de trabalho.
Sem essas ferramentas, equipes acabam sobrecarregadas com processos manuais, propensos a erros e que não conseguem acompanhar a velocidade e a precisão exigidas por projetos modernos.
Dessa forma, esse desafio tecnológico se conecta diretamente com outro ponto sensível: a falta de visibilidade de dados.
A combinação entre a falta de tecnologia e a ausência de visibilidade representa uma barreira para o alinhamento organizacional, limitando o potencial de colaboração entre as equipes e enfraquecendo a comunicação com stakeholders.
Segundo os respondentes do panorama, os principais benefícios no uso de um software de gestão de projetos são:
- Maior visibilidade e transparência do progresso do projeto (22,25%);
- Melhor controle de prazos e cronogramas (18,01%);
- Facilidade no acompanhamento de tarefas e atividades (15,4%);

85,41% já usam inteligência artificial na gestão de projetos
A inteligência artificial (IA) já ocupa um espaço relevante nas rotinas de gerenciamento de projetos, apontando uma tendência de transformação digital consolidada.
Principais aplicações de IA:
- Geração de documentos, resumos e relatórios (21,1%)
- Criação automática de cronogramas e tarefas (11,78%)
- Chatbots para respostas automáticas (11,58%)
Apenas 0,3% não quer usar IA na gestão de projetos. Esse dado demonstra que a tecnologia deixou de ser vista como tendência futura e passou a ser reconhecida como fator essencial de competitividade e eficiência.
Entre as aplicações mais desejadas estão a previsão de riscos (16,38%), a criação automática de cronogramas e tarefas (15,86%) e a análise preditiva de cronogramas (14,27%), evidenciando o interesse em automatizar atividades operacionais e fortalecer a capacidade analítica das equipes.
As principais barreiras na adoção de IA na rotina de gerenciamento de projetos são:
- Falta de conhecimento ou capacitação da equipe sobre IA (21,24%)
- Falta de dados de qualidade ou organizados para alimentar a IA (12,41%)
- Custos elevados de implementação e manutenção (11,96%)
Estatísticas por setor
Tecnologia (software)
- 69% não possuem certificação em gestão de projetos
- 19,65% estão no nível 5 de maturidade em gestão de projetos
- 10,04% consideram que seus projetos tem um impacto estratégico muito alto para a organização
- 52,84% não estão satisfeitos com o nível de maturidade em gestão de projetos
- 87,72% usam inteligência artificial
- 45,85% não possuem nenhuma estrutura departamental (PMO ou VMO)
- 24,07% ainda usam planilhas para gerenciar projetos
- 40,61% gerenciam mais de 20 projetos simultaneamente
- 52,84% entregam os projetos “na maioria das vezes” dentro do escopo
- 46,72% utilizam metodologias híbridas de projetos, seguida por ágeis (com 40,61%)
- 47,60% entregam os projetos “na maioria das vezes” dentro do orçamento
- 24,89% não consideram ESG nas práticas de gestão de projetos
- 40,17% entregam os projetos “na maioria das vezes” dentro do prazo
Serviços de TI
- 62,11% não possuem certificação em gestão de projetos
- 19,88% estão no nível 5 de maturidade em gestão de projetos
- 12,42% consideram que seus projetos tem um impacto estratégico muito alto para a organização
- 47,20,84% não estão satisfeitos com o nível de maturidade em gestão de projetos
- 88,22% usam inteligência artificial
- 37,89% não possuem nenhuma estrutura departamental (PMO ou VMO)
- 23,91% ainda usam planilhas para gerenciar projetos
- 45,96% gerenciam mais de 20 projetos simultaneamente
- 44,72% entregam os projetos “na maioria das vezes” dentro do escopo
- 56,42% utilizam metodologias híbridas de projetos, seguida por ágeis (com 27,33%)
- 41,61% entregam os projetos “na maioria das vezes” dentro do orçamento
- 21,74% não consideram ESG nas práticas de gestão de projetos
- 39,13% entregam os projetos “na maioria das vezes” dentro do prazo
Consultoria
- 70,71% não possuem certificação em gestão de projetos
- 17,86% estão no nível 5 de maturidade em gestão de projetos
- 10,71% consideram que seus projetos tem um impacto estratégico muito alto para a organização
- 25% não estão satisfeitos com o nível de maturidade em gestão de projetos
- 86,25% usam inteligência artificial
- 58,57% não possuem nenhuma estrutura departamental (PMO ou VMO)
- 30,05% ainda usam planilhas para gerenciar projetos
- 32,86% gerenciam mais de 20 projetos simultaneamente
- 59,29% entregam os projetos “na maioria das vezes” dentro do escopo
- 45,71% utilizam metodologias híbridas de projetos, seguida por ágeis (com 26,43%)
- 55,71% entregam os projetos “na maioria das vezes” dentro do orçamento
- 19,26% não consideram ESG nas práticas de gestão de projetos
- 51,43% entregam os projetos “na maioria das vezes” dentro do prazo
Engenharia
- 82,4% não possuem certificação em gestão de projetos
- 13,6% estão no nível 5 de maturidade em gestão de projetos
- 7,2% consideram que seus projetos tem um impacto estratégico muito alto para a organização
- 32,8% não estão satisfeitos com o nível de maturidade em gestão de projetos
- 86,27% usam inteligência artificial
- 50,4% não possuem nenhuma estrutura departamental (PMO ou VMO)
- 32,35% ainda usam planilhas para gerenciar projetos
- 40,8% gerenciam mais de 20 projetos simultaneamente
- 44,80% entregam os projetos “na maioria das vezes” dentro do escopo
- 34,4% utilizam metodologias híbridas de projetos, seguida por ágeis (com 31,20%)
- 43,20% entregam os projetos “na maioria das vezes” dentro do orçamento
- 28,20% não consideram ESG nas práticas de gestão de projetos
- 31,20% entregam os projetos “na maioria das vezes” dentro do prazo
Próximos passos
O Panorama Gestão de Projetos Brasil 2026 deixa claro: ainda existe um espaço enorme para evolução em maturidade, governança e digitalização.
Para avançar, é fundamental que as empresas:
- Invistam em certificações e capacitação contínua para equipes.
- Implementem PMO ou VMO para dar sustentação à governança.
- Adotem tecnologias integradas que garantam visibilidade e controle em tempo real.
- Fortaleçam a cultura organizacional, estimulando comunicação clara e engajamento.
Essas ações não apenas elevam o índice de sucesso dos projetos, como também melhoram a competitividade no mercado — algo essencial para navegar no cenário de 2026 e além.
Webinar de lançamento do Panorama Gestão de Projetos Brasil 2026
Assista na íntegra o webinar de lançamento do panorama com comentários dos especialistas do Artia:
Referências
ARTIA. Panorama Gestão de Projetos Brasil 2026. Disponível em: https://materiais.artia.com/panorama-gestao-de-projetos-brasil-2026