O mercado brasileiro de gestão de projetos vive um momento de virada. Pressionado por prazos mais curtos, orçamentos limitados e demandas cada vez mais complexas, o setor precisa se reinventar.
Nesse cenário, o Panorama Gestão de Projetos Brasil 2025 — pesquisa realizada com 1.253 respondentes de diferentes regiões, portes e setores — funciona como um verdadeiro termômetro de maturidade e inovação, com estatísticas de gestão de projetos úteis para benchmark.
Com base em 30 questões estruturadas, o estudo mapeia desde competências profissionais e estruturas organizacionais até uso de tecnologia e desafios enfrentados no dia a dia.
Mais do que um retrato estático, ele oferece insumos estratégicos para empresas que desejam se comparar ao mercado e para profissionais que buscam se posicionar de forma competitiva.
Principais achados do estudo
Os resultados trazem um alerta importante: o Brasil ainda enfrenta lacunas estruturais e culturais na gestão de projetos.
- 74,62% não possuem certificação em gestão de projetos;
- 72% não estão satisfeitos com o nível de maturidade organizacional;
- 45,41% não possuem nenhuma estrutura departamental (PMO ou VMO);
- 36,55% gerenciam mais de 20 projetos simultaneamente;
- Apenas 40,57% utilizam software de gestão de projetos;
- Somente 16,47% aplicam Inteligência Artificial em seus processos.
Esses dados mostram que, enquanto a tecnologia já está disponível e acessível, sua adoção ainda não é prioridade para muitas empresas, o que limita ganhos de eficiência e capacidade de análise estratégica.
Status da carreira em gestão de projetos
O perfil dos profissionais revela diversidade de gênero (50,8% mulheres cisgênero vs. 45,11% homens cisgênero) e uma presença significativa de profissionais experientes: 23,9% têm mais de 10 anos de atuação, enquanto 14,1% estão nos dois primeiros anos de carreira. As funções mais comuns são Gerente, Consultor e Diretor/Sócio.
Salário do gerente de projetos
O estudo apresenta a faixa salarial de diferentes níveis profissionais ligados à área de gestão de projetos. Mais de 21% dos gerentes de projetos recebem entre R$5.001 a R$7.500.

Disparidade salarial em gestão de projetos
Um dos pontos mais sensíveis do estudo é a diferença salarial entre homens e mulheres quando se equaliza o tempo de experiência:
Ao filtrar aqueles que possuem mais de 10 anos de experiência com a gestão de projetos, houve uma discrepância, em que mulheres ganham uma média de 10 mil a 12 mil e quinhentos reais enquanto homens ganham de 12 mil e quinhentos até 15 mil reais.
Esse dado expõe um desafio de equidade que vai além da técnica: mostra que mesmo em níveis sêniores, barreiras históricas ainda impactam a remuneração feminina.
A consciência desse cenário é essencial para que empresas implementem políticas de remuneração justa.
Outro ponto relevante é que 71,49% dos profissionais não têm certificação, um indicativo de que ainda há um grande espaço para valorização da formação formal como diferencial competitivo.
Certificação em gestão de projetos
71,49% dos respondentes não possuem certificações em gestão de projetos.
- PMP – Project Management Professional (7,35%)
- CSM – Certified ScrumMaster (4,02%)
- PMI-ACP – PMI Agile Certified Practitioner (0,91%)
- MSP – Managing Successful Programmes (0,83%)
- P3O – Portfolio, Programme and Project Offices (0,30%)
- APM-ChPP – Association for Project Management Chartered Project Professional (0,08%)
- Outras (14,94%)
Embora a certificação seja um indicativo importante de conhecimento técnico e metodológico, ela não representa o único caminho para quem deseja construir uma carreira em gestão de projetos.
Isto também reforça uma tendência observada pelo PMI de alta demanda por profissionais na área, o que faz com que muitos assumam responsabilidades de gestão de projetos mesmo sem uma certificação formal.
Maturidade na gestão de projetos
A maturidade média das organizações brasileiras concentra-se nos níveis intermediários:
- Nível 3: 31,5%
- Nível 4: 21,9%
- Nível 2: 19,42%
- Nível 5 (excelência): 12,95%
- Nível 1: 11,03%
Isso revela um quadro de evolução em andamento, mas ainda longe do topo. O fato de mais de 40% estar nos níveis 1 e 2 indica que há empresas operando de forma reativa, sem metodologias consolidadas.
Isso se conecta diretamente com a baixa adoção de PMO / VMO e de tecnologias mais avançadas, como veremos adiante.
O Panorama Gestão de Projetos Brasil 2025 revelou que 72% não estão satisfeitos com o nível de maturidade em gestão de projetos.
Perfil dos profissionais satisfeitos
Entre os que se declaram satisfeitos com a maturidade:
- 57,3% possuem PMO e 18,91% contam com VMO
- 23% não contam com nenhuma estrutura departamental
- 47,28% gerenciam mais de 20 projetos
- Abordagem: 50% híbrida, 35% ágil, 8% preditivas
- 42,28% usam um software de gestão de projetos, 12,28% usam IA.
Curiosamente, 66,19% não possuem certificação, o que sugere que a percepção de satisfação nem sempre está atrelada a credenciais formais, mas possivelmente ao alinhamento cultural e à eficiência das práticas internas.
Perfil dos profissionais insatisfeitos
Entre os insatisfeitos:
- 70,71% não possuem PMO ou VMO;
- 27% possuem PMO, e apenas 2% contam com VMO;
- 40,27% não utilizam metodologia definida;
- Metodologia preditiva é predominante (40%);
- Apenas 36,93% usam software de gestão e 29,98% utilizam Excel como principal ferramenta.
Esse perfil reforça a relação direta entre ausência de estrutura, metodologias e tecnologias com a baixa maturidade percebida.
Estatísticas sobre governança e entrega de projetos
ausência de estruturas formais é marcante: 45,41% não contam com PMO ou VMO. Essa falta de governança impacta diretamente na previsibilidade das entregas:
- 42,86% finalizam os projetos “na maioria das vezes” dentro do escopo;
- 41,64% finalizam os projetos “na maioria das vezes” dentro do orçamento;
- 31,26% finalizam os projetos “na maioria das vezes” dentro do prazo.
Metodologias híbridas são a escolha predominante, seguidas pelas ágeis (26,42%), o que demonstra um movimento de adaptação, mas também indica que muitas organizações ainda buscam o equilíbrio ideal entre previsibilidade e flexibilidade.
Estatísticas sobre principais desafios da gestão de projetos
O estudo mostra que as maiores barreiras são menos tecnológicas e mais organizacionais:
- Cultura organizacional (21,11%).
- Baixo engajamento e motivação das equipes (12,89%)
- Falta de comunicação entre as partes interessadas (11,96%)
- Mudanças constantes de escopo (9,67%)
- Falta de clareza sobre os objetivos estratégicos (9,41%)

Esses desafios estão fortemente ligados ao fator humano, reforçando que o sucesso em projetos não depende apenas de ferramentas, mas de liderança e cultura.
Por que os projetos falham?
O panorama apresenta também os principais motivos que causam falhas nos projetos, impactando o cumprimento do escopo, prazo e custos.
Principais motivos que causam mudanças no escopo dos projetos:
- Falta de clareza no escopo inicial (17,14%)
- Mudanças nas necessidades ou prioridades do cliente (17,02%)
- Requisitos do cliente mal definidos (15,8%)
- Falta de comunicação entre as partes interessadas (11,4%)
Principais motivos que causam atrasos nos projetos:
- Atrasos na aprovação de entregáveis (15,97%)
- Dependências de terceiros ou fornecedores (14,06%)
- Falta de planejamento detalhado e realista (12,45%)
- Falta de recursos adequados – humanos, financeiros e materiais (12,01%)
Principais motivos que causam gastos adicionais nos projetos:
- Mudanças no escopo do projeto (19,92%)
- Atrasos no cronograma do projeto (15,61%)
- Estimativas de custo imprecisas ou inadequadas (14%)
- Retrabalho devido a erros ou falhas (11,91%)
Adoção de software de gestão de projetos
Só 40,57% usam um software de gestão de projetos. Entre os usuários:
- 30% estão satisfeitos ou muito insatisfeitos com o nível de maturidade;
- Metodologias: 44% híbridas, 28% ágeis, 16% preditivas.
Entre as principais dificuldades no uso de um software de gestão de projetos estão:
- Falta de alinhamento e adesão da equipe (24,77%);
- Personalização / customização (16,35%)
- Custo de aquisição e manutenção das ferramentas (14,46%);
- Problemas de sincronização e atualização de dados (13,97%);
A baixa adoção de softwares integrados e de IA (16,47% no total da amostra) mostra que a transformação digital ainda está em fase inicial na gestão de projetos no Brasil.
A pesquisa revela que a baixa adoção de tecnologias e a falta de ferramentas adequadas representam um desafio para muitas organizações.
Em um cenário de crescente complexidade e volume de informações, a tecnologia desempenha um papel essencial ao centralizar dados e otimizar o acompanhamento do fluxo de trabalho.
Sem essas ferramentas, equipes acabam sobrecarregadas com processos manuais, propensos a erros e que não conseguem acompanhar a velocidade e a precisão exigidas por projetos modernos.
Dessa forma, esse desafio tecnológico se conecta diretamente com outro ponto sensível: a falta de visibilidade de dados.
A combinação entre a falta de tecnologia e a ausência de visibilidade representa uma barreira para o alinhamento organizacional, limitando o potencial de colaboração entre as equipes e enfraquecendo a comunicação com stakeholders.
Segundo os respondentes do panorama, os principais benefícios no uso de um software de gestão de projetos são:
- Maior visibilidade e transparência do progresso do projeto (14,37%);
- Melhor controle de prazos e cronogramas (12,61%);
- Facilidade no acompanhamento de tarefas e atividades (11,01%);
- Melhoria na comunicação e colaboração da equipe (8,29%);

Estatísticas por setor
Serviços de TI
- 65,05% sem certificação;
- 43,01% satisfeitos com a maturidade;
- 39,25% gerenciam mais de 20 projetos;
- 34,95% não possui nenhuma estrutura departamental;
- 52,69% têm PMO; 11,85% têm VMO;
- Metodologias: 44,09% híbridas, 34,95% ágeis, 10,75% preditivas;
- 43,11% usam software de gestão de projetos;
- 14,78% usam inteligência artificial.
Serviços
- 77,97% sem certificação;
- 23,73% satisfeitos com a maturidade;
- 61,02% não possui nenhuma estrutura departamental;
- 35,59% têm PMO;
- 3,38% têm VMO;
- Metodologias: 18,64% híbridas, 25,42% ágeis, 18,64% preditivas;
- 36,05% usam software de gestão de projetos;
- 15,12% usam inteligência artificial.
Consultoria
- 60,26% sem certificação;
- 35% satisfeitos com a gestão de projetos;
- 35,83% gerenciam de 1 a 5 projetos simultaneamente;
- 49,17% sem estrutura departamental;
- 35,83% com PMO;
- 14,17% com VMO;
- Metodologias: 50,83% híbridas, 20,83% ágeis, 15% preditivas;
- 39,20% usam software de gestão de projetos;
- 18,09% usam inteligência artificial.
Próximos passos
O Panorama Gestão de Projetos Brasil 2025 deixa claro: ainda existe um espaço enorme para evolução em maturidade, governança e digitalização.
Para avançar, é fundamental que as empresas:
- Invistam em certificações e capacitação contínua para equipes.
- Implementem PMO ou VMO para dar sustentação à governança.
- Adotem tecnologias integradas que garantam visibilidade e controle em tempo real.
- Fortaleçam a cultura organizacional, estimulando comunicação clara e engajamento.
Essas ações não apenas elevam o índice de sucesso dos projetos, como também melhoram a competitividade no mercado — algo essencial para navegar no cenário de 2025 e além.
Webinar de lançamento do Panorama Gestão de Projetos Brasil 2025
Assista na íntegra o webinar de lançamento do panorama com comentários dos especialistas do Artia:
Faça o download do material completo:
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