Scrum vs Kanban vs Lean: quais as semelhanças, diferenças e relações entre eles?

Publicado em: 10|07|2020 Ultima atualização em: 10|07|2020

Scrum vs Kanban vs Lean quais as semelhanças, diferenças e relações entre eles

Os gestores se deparam com métodos e termos parecidos ao buscar técnicas de gerenciamento de projetos e, às vezes, é um pouco complicado entender a diferença entre cada um deles. Com a popularidade dos métodos ágeis, Scrum, Lean e Kanban se tornaram desses termos que fazem a confusão na cabeça de alguns.

Afinal, quais são as diferenças entre os três? Posso utilizá-los ao mesmo tempo? Qual é o melhor para o meu projeto? É para tirar essas dúvidas que fizemos esse post. Siga lendo para entender Scrum, Kanban e Lean!

O Scrum

O que é Scrum?

Scrum é uma metodologia de gestão de projetos, a mais conhecida entre as ágeis, e é aplicada principalmente em projetos de desenvolvimento de software. O Scrum agrupa conceitos, práticas e ferramentas para o bom gerenciamento dos projetos de forma ágil.

No mundo dos desenvolvedores de software, o Scrum está longe de ser um mistério. Entretanto, com sua popularização, a metodologia também começou a ser aplicada em outros tipos de projeto que exigem menor rigidez e planejamento inicial e maior capacidade de adaptação e velocidade de entregas.

Como funciona o Scrum?

No Scrum, todo o trabalho é dividido em ciclos que duram de 2 a 6 semanas. Esses ciclos são chamados de Sprints. Cada Sprint gera pequenas entregas que adicionam um incremento ao produto. Em outras palavras, ao fim de cada ciclo é entregue mais um “pedaço” do projeto. No caso de projetos de software, esse incremento costuma ser uma nova funcionalidade.

É comum que cada organização ou equipe adapte as práticas do Scrum ao seu contexto. Entretanto, a ideia principal de uma metodologia ágil é que o escopo do projeto seja criado aos poucos, ao longo do andamento do projeto, conforme novas informações surgem e novas entregas são feitas.

Essa é a principal diferença das metodologias ágeis em relação às tradicionais. Na tradicional Cascata, por exemplo, o escopo é totalmente planejado antes do início do projeto e os replanejamentos não devem ocorrer.

Papéis

Há papéis a serem desempenhadas por cada membro de um time Scrum. Na teoria, uma equipe que trabalha com Scrum deve ter:

  • Product Owner: também chamado de PO, é como um guardião dos interesses do usuário do produto. Pode ser um usuário ou alguém que represente os usuários. Cabe a ele decidir quais funcionalidades devem ser desenvolvidas e em qual ordem de prioridade, apontar as melhorias que precisam ser feitas e aprovar funcionalidades implementadas;
  • Scrum Master: é o líder, mas sua autoridade está sobre os processos e não sobre a equipe. Sua principal responsabilidade é ajudar o time a utilizar a metodologia, superar empecilhos para a realização do projeto e proteger a equipe de fatores que podem atrapalhar a produtividade;
  • Development Team: a equipe de desenvolvimento de software;
  • Scrum Team: é toda a equipe envolvida no projeto, isto é, todos os papéis anteriormente citados.

Artefatos

  • Product backlog: é a lista de entregas que devem ser feitas ao longo do projeto. No caso de software, é uma lista de funcionalidades. O product backlog sofre alterações conforme o andamento do projeto;
  • Sprint backlog: é o conjunto de entregas que serão feitas em uma determinada Sprint. O sprint backlog não pode sofrer alterações;
  • Definition of ready: o nível ideal de detalhamento de um requisito. Quando um requisito é detalhado até que o time possua informação suficiente para começar a trabalhar nessa entrega;
  • Definition of done: são os critérios de aceite da entrega. Quando a entrega atende a todos os critérios de aceite, pode ser considerada concluída e, portanto, atingiu definition of done.

Antes de cada Sprint é feita a Sprint Planning, uma reunião na qual se decide os requisitos que irão compor aquela sprint e as tarefas necessárias para sua entrega.

Diariamente, o time realiza uma reunião chamada Daily Scrum para que todos mantenham-se alinhados sobre o andamento do projeto. Cada membro deve dizer o que fez no dia anterior, o que fará hoje e se existe algum impedimento para a realização das atividades. A Daily não deve durar mais do que 15 minutos, por isso todos devem ficar de pé (para que ninguém se acomode).

Quando a Sprint termina, é feita a Sprint Review, que serve para mostrar ao Product Owner as novas entregas feitas. Logo em seguida, a Sprint Retrospective ocorre para analisar o trabalho feito e discutir ideias de melhoria nos processos para as próximas sprints.

É quando falamos sobre as ferramentas que podem ajudar na execução do Scrum que acabamos entrando em outro ponto importante: o Kanban!

O Kanban

O que é Kanban?

Kanban é um sistema ágil e visual que serve para controlar fluxos de trabalho. Trata-se de um quadro com cartões que representam atividades. Esses cartões ficam dispostos em colunas que indicam a situação daquela atividade. Assim:

quadro Kanban

Diferente do Scrum, que é uma metodologia e reúne uma série de práticas, funções e elementos pré-definidos, o Kanban é uma ferramenta, ou seja, um sistema para auxiliar a organização do trabalho do time. Ele não impõe regras ou funções para determinados membros da equipe, por exemplo.

É por isso que o Kanban não é um concorrente ou alternativa ao Scrum: um não substitui o outro. Pelo contrário, o Kanban pode servir como complemento ao Scrum ou outras metodologias.

Por exemplo: uma Sprint do Scrum pode ser incorporada em um Kanban, para que o time possa controlar as atividades que estão em andamento, o que já foi feito, e o que ainda não foi iniciado. Assim como o Scrum Master pode identificar gargalos e atividades que estão “travadas”, prejudicando o fluxo de trabalho.

Entre as principais vantagens de utilizar um Kanban, podemos citar:

  • Ajuda a sequenciar as atividades, para um trabalho não precise ser interrompido pela falta de outro que já deveria ter sido entregue;
  • Permite saber o andamento das atividades rapidamente;
  • Ajuda a estabelecer responsáveis por cada atividade, que podem ter seu nome nos cartões;
  • Garante maior comunicação entre a equipe, pois todos podem mover seus cartões conforme concluem suas atividades e toda a equipe fica sabendo o status de cada trabalho;
  • Ajuda cada membro a organizar seu próprio trabalho, sempre podendo visualizar aquilo que precisa ser feito e o que já foi concluído;
  • Permite ao gestor verificar o andamento do trabalho;
  • Entre outras.

Para evitar paredes inteiras cheias de post-its colados, hoje as empresas adotam Kanbans online com frequência. Com funcionamento na nuvem, esse tipo de tecnologia permite que os membros do time movam cartões e criem atividades em tempo real em um quadro compartilhado. Além disso, um Kanban digital também apresenta funcionalidades úteis, como atribuir datas de entrega e apontamento de horas.

Mas e onde o Lean entra no meio dessa história toda?

O Lean

Lean é uma metodologia de trabalho desenvolvida pela Toyota. Seu principal princípio é “enxugar” os processos da empresa e eliminar qualquer tipo de desperdício de tempo, matéria prima, espaço, atividades, mão de obra etc.

O objetivo é transformar as estruturas da empresa para potencializar seus resultados e torná-la mais competitiva. Os princípios do Lean são:

  • Valor para o cliente: os processos da empresa devem estar sempre voltados a gerar valor para os clientes. Isso é feito observando as demandas e necessidades do seu público-alvo.
  • Fluxo de valor: é essencial que todos os processos estejam organizados de forma a potencializar a entrega de valor para o cliente.
  • Fluxo contínuo: o fluxo de atividades não deve ser interrompido, e se acontecer, que seja o mínimo possível. É necessário organizar os processos para garantir um fluxo contínuo no qual os colaboradores possam passar o bastão entre si durante as atividades sem empecilhos.
  • Produção puxada: o processo de produção puxada significa que o projeto só é iniciado depois que é solicitado pelo cliente. Portanto, não se realizam atividades sem saber se os consumidores realmente vão comprar os produtos. Isso evita o desperdício de recursos em produtos que não serão vendidos.
  • Qualidade: enxugar processos não deve ser sinônimo de reduzir a qualidade. O objetivo do Lean é economizar em recursos, mas manter uma alta qualidade nos produtos entregues ao consumidor. Portanto, cortes que resultam em baixa na qualidade do produto não são bem vindos.

Entre as principais ferramentas para utilizar o Lean, podemos citar o próprio Kanban. Ele ajuda a gerenciar os fluxos de atividades e manter o passo a passo do projeto de forma visual. Assim, você pode identificar pontos que estão “travando” o processo de trabalho, identificar desperdícios e acompanhar o status das atividades. Além do Kanban, um canvas também é comumente utilizado para planejar os projetos e o negócio.

E então, conseguiu entender a diferença entre Scrum, Kanban e Lean? Confira essa tabela para que as coisas fiquem mais claras:

diferença entre Scrum, Kanban e Lean

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